terça-feira, 21 de abril de 2009

O empirismo de David Hume

Filosofia - 11º ano
O empirismo de David Hume

Segundo David Hume todo o conhecimento começa com a experiência. A experiência produz percepções que podem ser impressões ou ideias. As impressões são as imagens ou sentimentos que derivam imediatamente da realidade. Tratam-se de percepções vivas e fortes. Por seu turno, as ideias são as representações ou imagens enfraquecidas das impressões depois de retidas no nosso pensamento. A diferença entre as impressões e as ideias não é de natureza, uma vez que são ambas empíricas, mas simplesmente de grau.
Para Hume há dois tipos de conhecimento: o conhecimento de ideias e o conhecimento de factos. O conhecimento de ideias consiste em estabelecer as relações entre as ideias que uma proposição contém. Embora todas as ideias sejam baseadas na experiência, podemos conhecer sem recorrer às impressões. Os conhecimentos da lógica ou da matemática (por exemplo, “o quadrado tem quatro lados”) são deste tipo e não nos dão novas informações, nomeadamente quando o predicado repete o sujeito. O conhecimento de factos já implica um confronto das proposições (do que dizemos) com a experiência. Este tipo de conhecimento verifica a verdade e a falsidade das proposições a partir do teste da experiência.
O problema da causalidade
Embora consciente do lugar preponderante que o princípio da causalidade ocupou ao longo da história do pensamento ocidental, Hume submete-o a um exame crítico e rigoroso. A partir da observação de um facto “vemos uma bola de bilhar imóvel em cima da mesa e outra bola que rapidamente se move em direcção a ela.”[1] Esta será a impressão A. Seguidamente verificamos que surge outra impressão B:“ As duas bolas chocam e a que antes estava quieta adquire, imediatamente, movimento”[2]. Constatamos assim uma sucessão regular de A e B e surge a ideia de relação causal ou sucessão necessária. O rigoroso exame de David Hume a esta ideia de relação causal conclui que quando afirmamos que B sempre sucederá a A, estamos a referir-nos a um facto futuro que ainda não aconteceu. Neste sentido teremos ultrapassado a experiência – a única fonte de validade dos conhecimentos de facto. Não podemos conhecer factos futuros porque não podemos possuir experiências ou impressões sensíveis do que ainda não aconteceu. A relação necessária entre causa e efeito é um produto do hábito de constatar uma relação constante entre acontecimentos próximos. A ideia de causalidade é uma ficção útil para a nossa vida quotidiana e para o desenvolvimento das ciências experimentais. Tal ideia não deriva da razão, mas de factores subjectivos e psicológicos – a vontade de prever e controlar o futuro.
Conclusão
O empirismo de David Hume cai num certo cepticismo, na medida em que os princípios científicos – como o princípio da causalidade – não têm explicação racional. No empirismo, em contradição com o racionalismo, não existe a crença em princípios universais e necessários que nos permitam confiar na objectividade do conhecimento.

[1] RODRIGUES, L., SAMEIRO, J., NUNES, A., Filosofia – 11º ano, Lisboa, 2004, Plátano Editora.
[2] Op Cit.

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