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domingo, 3 de maio de 2009

Ficha sobre a distinção entre senso comum e conhecimento científico

A distinção entre senso comum e ciência
Filosofia - 11º ano
Distinção entre senso comum e ciência

A - Faça corresponder os espaços numerados com as alíneas de modo a formar afirmações verdadeiras:

O conhecimento do senso comum pode formar-se por várias maneiras: por experiência ____1____; através dos ____2_____ dos outros; pela ____3____ e simplificação dos conhecimentos científicos pelos meios de comunicação. O senso comum é um vastíssimo aglomerado de conhecimentos ligados às ____4____ quotidianas. Por contraste, o conhecimento científico é organizado segundo um ___5___ rigoroso.


a) testemunhos; b) práticas; c) método; d) pessoal; divulgação:

Ficha sobre empirismo e racionalismo

Filosofia - 11º ano
Ficha sobre empirismo e racionalismo

Os enunciados seguintes respeitam ao problema gnoseológico da origem do conhecimento. Indique quais são os verdadeiros (V) e os falsos (F).
1. No empirismo, o sujeito submete-se aos dados dos sentidos; no racionalismo, às ideias inatas.

2. O empirismo defende a teoria da “tábua rasa”.

3. O empirismo considera que o conhecimento é um movimento a partir do sujeito.

4. Descartes é um dos representantes do racionalismo.

5. Os empiristas consideram que nem tudo o que está na mente é proveniente dos sentidos.

6. David Hume é um dos principais representantes do empirismo.

7. O racionalismo considera o conhecimento como um movimento a partir do objecto.

8. O racionalismo cartesiano é sinónimo de inatismo.

9. David Hume considera que há uma diferença entre impressões e ideias.

10. Para Descartes, as ideias inatas são da razão e as factícias provêm da experiência sensorial.

11. Segundo Descartes, o conhecimento logicamente deduzido das ideias inatas é verdadeiro.

12. Os empiristas têm uma atitude optimista em relação às possibilidades do conhecimento, mas os racionalistas não.

13. O empirismo nega que todos os nossos conhecimentos provenham da experiência sensível.

14. Colocar o problema da origem ou fonte do conhecimento é tentar saber se são as nossas capacidades sensoriais, as racionais, ou ambas, a base originária dos nossos conhecimentos ou ideias.

15. O racionalismo defende que as ideias básicas a partir das quais se chega a todos os conhecimentos são originárias da razão.

sábado, 2 de maio de 2009

O estatuto do conhecimento científico

Filosofia - 11º ano
O estatuto do conhecimento científico
A palavra ciência é de origem latina "Scientia" que provém de "Scire" que significa "aprender" ou "conhecer". O conhecimento científico resulta da investigação reflexiva, metódica e sistemática da realidade. O conhecimento científico visa descobrir as relações que os fenómenos possuem entre si, determinar as causas e os respectivos efeitos. O objectivo é construir uma teoria explicativa dos fenómenos, bem como determinar as leis que os regem. A ciência apresenta-se como um conjunto de proposições ou enunciados susceptíveis de ser organizados de forma hierárquica, dos mais elementares para os mais gerais e vice-versa. Em sentido ascendente, a conexão é estabelecida por induções e a descendente por deduções. Na sua tentativa de ordenar e estruturar os fenómenos, o cientista tem de definir um objecto específico de investigação e apoiar-se num método que lhe permita examinar o seu objecto de estudo de uma forma rigorosa. O cientista concilia uma capacidade intuitiva e estruturante do pensamento com a submissão aos factos. A preocupação lógico-experimental reveste os resultados da ciência de rigor e credibilidade. O método científicoComo procedem os cientistas para conhecer a realidade? Para conhecermos cientificamente a Natureza e as leis que a regem não a podemos interrogar de qualquer forma. Para tal é necessário agir de acordo com certas regras claramente definidas e susceptíveis de repetição. O método é o caminho que os cientistas percorrem para conhecer a realidade. O método é o caminho que o cientista percorre para investigar e alcançar os seus objectivos. Há várias concepções de método científico mas todas têm em comum os seguintes factores: a procura do ponto de partida para as teorias científicas, a formulação das teorias científicas, a aplicação das teorias científicas. Não há um método único que possa ser mecanicamente aplicado às diferentes áreas de investigação. Cada ciência ao determinar o seu campo de investigação define um conjunto de métodos e técnicas que lhe permitem construir uma visão específica da realidade. O método promove a eficácia da investigação, a credibilidade dos resultados; a maior facilidade em distinguir os conhecimentos que são verdadeiramente científicos dos que não o são. Portanto, há uma interdependência entre a Ciência e o método científico. O primeiro momento do método consiste na ocorrência de factos problemáticos. A procura do saber inicia com o aparecimento de um problema e não com a apreensão de factos puros e simples, tem um carácter activo. O que importa ao cientista é a descoberta de “factos polémicos” que ponham em causa as teorias existentes. O segundo momento do método é o da formulação de hipóteses. Hipótese vem de hypo (sob) e thésis (proposição). Uma hipótese é um enunciado que se propõe como base para explicar como se produzem os fenómenos. A hipótese é uma espécie de explicação antecipada que será submetida a testes. Depois da hipótese chega o momento em que se deduzem as respectivas consequências. A razão da necessidade deste momento do método prende-se com o facto de que, na maioria do casos, a hipótese não poder ser confrontada directamente com a experiência. Portanto, são deduzidas consequências das hipóteses que a tornam mais específica. O último momento do método consiste na confrontação das consequências deduzidas com a realidade. Se as consequências da hipótese não se cumprem no teste experimental ou observacional, esta é rejeitada. Se as mesmas se verificarem, a hipótese será aprovada e formular-se-ão leis e teorias científicas que as integrem. A concepção indutiva do método. Há várias maneiras de conceber o método científico. Há ciências e áreas de investigação em que se pode partir da observação dos factos, mas há outros domínios em que a investigação é estimulada por um problema teórico ou por uma mera especulação. O método usa também procedimentos indutivos que procedem da observação dos factos. A concepção indutiva do método é usada quando, depois de os cientistas terem observado o que acontece num grande número de casos, consideram que sucederá sempre o mesmo em situações semelhantes ainda não observadas. Desta forma, a teoria é obtida por generalização indutiva.Objecções ao indutivismo: a) é impossível registar e classificar espontaneamente os factos empíricos espontaneamente, ou seja, sem uma orientação teórica. b) Há leis científicas que dizem respeito a fenómenos inobserváveis e, como tal, não podem resultar de meras generalizações indutivas baseadas na observação. No caso do método falsificacionista são formuladas hipóteses ou conjecturas, as quais são submetidas a tentativas de refutação (ou falsificação). Este é o método aconselhado por Karl Popper. A diferença entre o método falsificacionista e o método hipotético-dedutivo reside no facto de o falsificacionismo não procurar a comprovação, mas procurar observações que falsifiquem as consequências deduzidas das hipóteses.Objecções ao falsificacionismo: é difícil refutar uma teoria. Se as previsões empíricas fracassarem, só podemos concluir que uma das hipóteses é falsa e essa hipótese pode não pertencer à teoria.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Objecções ao racionalismo cartesiano

Filosofia - 11º ano
Objecções ao racionalismo cartesiano
Quando procura demonstrar a existência de Deus, como sabe Descartes que não se engana ao deduzir que a ideia de perfeição implica a existência de um ser perfeito? E se o génio maligno me estiver a enganar quando penso que a ideia de perfeição só pode ter sido causada por um ser perfeito? Uma vez abalada a demonstração da existência de Deus, o que resta do racionalismo cartesiano?

terça-feira, 21 de abril de 2009

O empirismo de David Hume

Filosofia - 11º ano
O empirismo de David Hume

Segundo David Hume todo o conhecimento começa com a experiência. A experiência produz percepções que podem ser impressões ou ideias. As impressões são as imagens ou sentimentos que derivam imediatamente da realidade. Tratam-se de percepções vivas e fortes. Por seu turno, as ideias são as representações ou imagens enfraquecidas das impressões depois de retidas no nosso pensamento. A diferença entre as impressões e as ideias não é de natureza, uma vez que são ambas empíricas, mas simplesmente de grau.
Para Hume há dois tipos de conhecimento: o conhecimento de ideias e o conhecimento de factos. O conhecimento de ideias consiste em estabelecer as relações entre as ideias que uma proposição contém. Embora todas as ideias sejam baseadas na experiência, podemos conhecer sem recorrer às impressões. Os conhecimentos da lógica ou da matemática (por exemplo, “o quadrado tem quatro lados”) são deste tipo e não nos dão novas informações, nomeadamente quando o predicado repete o sujeito. O conhecimento de factos já implica um confronto das proposições (do que dizemos) com a experiência. Este tipo de conhecimento verifica a verdade e a falsidade das proposições a partir do teste da experiência.
O problema da causalidade
Embora consciente do lugar preponderante que o princípio da causalidade ocupou ao longo da história do pensamento ocidental, Hume submete-o a um exame crítico e rigoroso. A partir da observação de um facto “vemos uma bola de bilhar imóvel em cima da mesa e outra bola que rapidamente se move em direcção a ela.”[1] Esta será a impressão A. Seguidamente verificamos que surge outra impressão B:“ As duas bolas chocam e a que antes estava quieta adquire, imediatamente, movimento”[2]. Constatamos assim uma sucessão regular de A e B e surge a ideia de relação causal ou sucessão necessária. O rigoroso exame de David Hume a esta ideia de relação causal conclui que quando afirmamos que B sempre sucederá a A, estamos a referir-nos a um facto futuro que ainda não aconteceu. Neste sentido teremos ultrapassado a experiência – a única fonte de validade dos conhecimentos de facto. Não podemos conhecer factos futuros porque não podemos possuir experiências ou impressões sensíveis do que ainda não aconteceu. A relação necessária entre causa e efeito é um produto do hábito de constatar uma relação constante entre acontecimentos próximos. A ideia de causalidade é uma ficção útil para a nossa vida quotidiana e para o desenvolvimento das ciências experimentais. Tal ideia não deriva da razão, mas de factores subjectivos e psicológicos – a vontade de prever e controlar o futuro.
Conclusão
O empirismo de David Hume cai num certo cepticismo, na medida em que os princípios científicos – como o princípio da causalidade – não têm explicação racional. No empirismo, em contradição com o racionalismo, não existe a crença em princípios universais e necessários que nos permitam confiar na objectividade do conhecimento.

[1] RODRIGUES, L., SAMEIRO, J., NUNES, A., Filosofia – 11º ano, Lisboa, 2004, Plátano Editora.
[2] Op Cit.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Segunda ficha sobre Descartes

Filosofia - 11º ano
I. Indique se considera cada uma das frases seguintes verdadeira ou falsa:

1. Descartes decide que, para fundamentar as ciências, tem de demolir todas as suas crenças duvidosas e começar a partir dos alicerces.
2. O exercício da dúvida metódica acaba por revelar uma crença indubitável.
3. A dúvida cartesiana é metódica porque se propõe a duvidar sempre de tudo, pondo em causa a possibilidade do conhecimento.
4. "Cogito, ergo sum" é uma verdade provisória e susceptível de dúvidas.
5. A simples suposição de que um «génio maligno» possa manipular os nossos pensamentos, sem nós o sabermos, arruína a certeza do cogito.
6. Descartes, inquieto perante as suas dúvidas e a hipótese de um génio maligno enganador, recorre a Deus para garantir a verdade das operações matemáticas.
7. Se eu penso que sou algo, nenhum «génio» enganador pode fazer com que não seja indubitável que eu existo.
8. Posso pensar que estou em casa quando estou na escola, mas não posso pensar que não estou a pensar quando penso que estou em casa, embora esteja na escola.
9. É indubitável que eu existo se, e só se, estou a pensar.
10. Deus não desempenha um papel gnoseológico na filosofia de Descartes.

terça-feira, 3 de março de 2009

Ficha sobre as objecções à concepção tradicional de conhecimento

Filosofia - 11º ano
Ficha sobre as objecções à concepção tradicional de conhecimento

Durante mais de dois mil anos a definição tradicional de conhecimento prevaleceu. No entanto, em 1963 o filósofo americano Edmund Gettier (n.1927), refutou esta definição. Gettier elaborou um conjunto de contra-exemplos que apresentam exemplos de crença verdadeira justificada que não constitui conhecimento.

Vejamos um exemplo: João vai a uma festa onde se encontra Ana. Imaginemos que:
1. João acredita que Ana tem o Manual de Filosofia na mochila. Imaginemos ainda que a crença de João está justificada. A Ana havia dito a João que ia levar o Manual de Filosofia para a festa porque a Rita lho tinha pedido emprestado. Logo, o João não apenas acredita que a Ana tem o Manual na mochila como a sua crença está justificada.
2. A crença do João de que a Ana tem o Manual na mochila está justificada. Porém, suponhamos que a Rita havia telefonado à Ana para lhe dizer que afinal já não precisava que ela lhe emprestasse o Manual. Imaginemos agora que o António havia encontrado a Ana antes da festa e lhe tinha pedido para levar o Manual para a festa para tirar umas dúvidas com ela. Assim, a Ana tinha de facto o Manual na mochila, mas não tinha o livro por causa da Rita, mas por causa do António.
3. A Ana tem o Manual na mochila. Isto quer dizer que dado 1, 2 e 3, o João tem uma crença verdadeira justificada. Portanto, de acordo com a definição tradicional de conhecimento, o João sabe que a Ana tem o Manual de Filosofia na mochila.



Questão I. Podemos afirmar que João sabe de facto que a Ana tem o Manual de Filosofia na mochila? A razão pela qual João acredita que a Ana tem o Manual de Filosofia na mochila é a verdadeira razão que fez com que Ana levasse o Manual para a festa?